quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Doçura


Algumas pessoas tem aquela necessidade que digam o quão bonita elas são. E não é raro ouvir a pergunta: “Você me acha uma pessoa bonita?”

Mas não é esse o melhor elogio. A nossa beleza para os outros reflete o que achamos de nós mesmos. E dessa forma, você saberá o que acham de sua beleza.

O melhor elogio é quando te chamam de doce, meiga ou qualquer coisa relacionada a bondade. Porque você irá perceber que faz algum sentido viver num mundo tão frio.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

De fato, nos torna mais belos.


Segredos de beleza


1. Para ter lábios atraentes, diga palavras doces.

2. Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas.

3. Para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos.

4. Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia.

5. Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho.

6. Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas; jamais jogue alguém fora.

7. Lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço. Ao ficamos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos, uma para ajudar a nós mesmos, a outra para ajudar o próximo.

8. A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside.

9. A beleza de uma mulher não está na expressão facial, mas a verdadeira beleza de uma mulher está reflectida em sua alma. Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra.

10. A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos.


Por: Audrey Hepburn

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Manuela



Tem dias que eu saio sozinha
As pessoas me olhavam sem perceber
Qual na verdade era a minha
Mas tudo mudou quando decidi ser

Manuela, é,
Manuela

E tanto faz
como o corpo é
É como se houvesse paz
quando estou na ponta dos pés

Pare de se fazer de burro,
porque eu não ligo
Venha junto

Manuela
Por que você não vem junto?

Porque eu sou feliz
do jeito que sempre quis
Não me importa o meu corpo
nem meu rosto,

Manuela
Sim, eu sou Manuela.
Vou continuar andando.

domingo, 7 de novembro de 2010

Inspiradoras








Fotos que me inspiram,
que me dão vontade de ter uma vida assim.
Muita simplicidade.

sábado, 23 de outubro de 2010

Memories.




Eu tenho uma bebida da meia-noite,
que me lembra traz as lembranças que tenho.
Se por pelo menos por hoje,
tudo voltasse a ser o que foi ontem.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Beautiful Day

O coração é um botão de flor
Que floresce em meio ao chão pedregoso
Não há nenhum quarto
nenhum espaço para alugar nesta cidade

Você está sem sorte
e sem o motivo que tinha para importar-se
O trânsito está parado
e você não está se movendo para lugar algum

Você pensou que tinha encontrado um amigo
para te tirar deste lugar
Alguém a quem você poderia "dar uma mão"
Em troca de um favor

É um lindo dia
o céu desaba, você sente como se fosse
um lindo dia
Não o deixe escapar

Você está na estrada
mas você não tem nenhum destino
Você está na lama
no labirinto da imaginação dela

Você ama esta cidade
ainda que isso não soe verdadeiro
Você esteve em todo lugar
e ela esteve em você todo

É um lindo dia
Não o deixe escapar
É um lindo dia

Toque-me,
leve-me para aquele outro lugar
Ensine-me,
eu sei que não sou um caso perdido

Veja o mundo de verde e azul
Veja a China bem na frente de você
Veja os canyons interrompidos pela nuvem
Veja os cardumes de atum fugindo rápido no mar
Veja os fogos dos beduínos à noite
Veja os campos de petróleo à primeira luz do dia
Vveja o pássaro com uma folha no bico
Após a enchente, todas as cores apareceram

Era um lindo dia
Não o deixe escapar
Lindo dia

Toque-me,
leve-me para aquele outro lugar
Ensine-me,
eu sei que não sou um caso perdido

O que você não tem, você não precisa agora
O que você não sabe, você pode sentir de algum modo
O que você não tem, você não precisa agora
Não precisa agora
Era um lindo dia






http://www.vagalume.com.br/u2/beautiful-day-traducao.html#ixzz130bPX5Lo

terça-feira, 19 de outubro de 2010


Tenho uma alma de criança,
Sem rancor, sem ambição
Vivendo em torno de uma dança

Não sei o que é o amor,
muito menos fulgor
vivo sem ter beleza
mas com toda nobreza.


Tentando descobrir o mundo
Virando de cabeça para baixo
Como se não fosse tão imundo
descobrindo um novo cacho


Sinto que minha alma ainda é um tanto pura
Sinto que estou segura
Você me jura?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Coisas que farei antes de me tornar adulta







(Sim, sou eu na foto)


1. Aprender a surfar
2. Aprender a escalar
3. Ir ao Salto São Jorge em Ponta Grossa
4. Nadar no mar, furando ondas.
5. Mergulhar
6. Ver um golfinho
7. Me sentir confiante e ter uma alto estima
8. Escrever, escrever, escrever
9. Visitar cachoeiras
10. Ficar firme na alimentação vegetariana
11. Ir em mais festas (decentes)
12. Dançar até não aguentar mais
13. Brincar (existe coisa melhor?)

domingo, 17 de outubro de 2010

Como se importasse alguma coisa...

Ex-namorado: Eu não consigo parar de pensar em você.
Ex-namorada: Uhn...
Ex-namorado: O que você fez?
Ex-namorada: Nada. Se alguém fez algo aqui foi você. E foi tão idiota que prejudicou a si mesmo.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dia especial, dedicação especial.








Uns momentos com a natureza não fazem mal.


PS: esse dia me lembrou muito a Selena do blog Tudo que me faz bem, ela tem sido muito companheira de e-mails ultimamente :D

beijinhos,

Ps²: Não deixem de conferir o meu poema mais raivoso até hoje: Revolução número 19

Revolução número 19



Isso é uma revolução,
esqueça tudo o que você tem na mão.
Todas as coisas não são mais expostas
Só não esqueça de proteger quem você gosta.

Você só fala sobre dor,
me diz o quanto sofreu por amor.
Mas será que mais ninguém tem uma resposta?
como se importasse qualquer fossa

Isso é uma revolução,
Levante a sua mão.
Pare de tentar rimar tudo,
Não faz nenhum sentido erguer um muro,
Gostar e levar são rimas tão comuns,
Não vê que isso não irá te levar a lugar nenhum?

Eu sei que vão responder com violência
e na verdade, não há muita exigência.
Balas para todos os cantos irão atirar
Se você simplesmente pode se deixar levar?

Isso é uma revolução,
não esqueça do seu irmão.
Muitos acham que é o fim do mundo,
que devemos estar todos apostos
enquanto eu acho que quem tem fé está a bordo.

sábado, 9 de outubro de 2010

Um gênio que nasceu em outubro




Uma pequena homenagem a John Lennon, que faria 70 anos.
Algumas de suas frases:



É uma falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós.

O trabalho não justifica a existência. A gente trabalha para existir e vice-versa.

Pense globalmente e actue localmente

Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.

Quando fizeres algo nobre e belo e ninguém notar,não fique triste. Pois o sol toda manhã faz um lindo espetáculo e no entanto, a maioria da platéia ainda dorme...

Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.

Living is easy with eyes closed.

A arte é a expressão da mente,nossa vida é nossa arte

Ou você se cansa lutando pela paz ou morre

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Um céu nublado e seis sentidos.



Meus 6 sentidos estavam ativos,
todos ao mesmo tempo, com diversas funções.
Meu olfato sentia que a chuva chegaria,
Meu paladar sentia o suave gosto de grama,
Minha visão enxergava mais do que um céu nublado e uma árvore,
Minha audição ouvia o canto dos pássaros indo dormir e a dos grilos ao surgir
Meu tato sentia a doce chuva que caía em minha pele, sutilmente...
O sexto sentido? Nem eu sei ao certo. Mas acho que a sensação de paz que eu estava, fazia parte de mim.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Amor é para fracos...




Nunca fraquejei, porque nunca o senti.
Sou mais forte, não me deixo levar
Os bons se contentam com cházinhos,chocolates em forma de coração e por que não alguns livros?

domingo, 19 de setembro de 2010

Pele anônima



Eu vou superar
Sou quase o que quero ser
Um estudo a voar
Eu escolhi viver

Estou tão feliz por conseguir
Feliz por você não gostar,
Eu decidi ir
e mandar você se ferrar.

Quando acordo,
vou me arrumar,
Estou a bordo,
a cidade vou quebrar.

É cedo pra usar um vestido
Mas quem liga?
Não tenho marido,
e não sou diva.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Novo livro. Introdução.

Introdução


Não acredito em alma gêmea. Não acredito que duas pessoas possam se amar até o fim da vida e quem dirá até a eternidade. Mas como diria Isaac, acredito no equilíbrio entre as pessoas.
Nossos pais eram muito liberais e sempre nos deixavam muito á vontade. Hoje, costumo dizer que como eles estavam sempre ausentes, compensavam com a liberdade e com todos os objetos materiais que podiam oferecer. Morávamos em São Paulo e nossa vida era bastante agitada.
Éramos três irmãos: Gabriel, o mais velho e consequentemente o mais maduro. Tinha 25 anos, e era formado em engenharia mecânica. Isaac era o do meio, tinha 23 anos e ainda estava tentando passar em algum vestibular. E eu, Raquel, 19 anos, e não queria fazer uma faculdade, quando se é linda e rica, quem liga?
Gabriel era a ovelha negra da família, ia a festas, mas ficava sentado parecendo um morto, não dançava, não fumava e não bebia. Por ser muito maduro e inteligente, sempre achei que ele era uma pessoa muito triste. Mas na verdade ele só era um pouco reservado.
Isaac era minha versão masculina, dançava, pulava, bebia e fumava. Lembro que quando eu tinha 16 anos, estávamos numa festa e ele veio com dois comprimidos:
— O que é isso? – perguntei curiosa ao ver aquele comprimido
— Ecstasy. – respondeu e logo perguntou – Quer?
Eu adorava novas experiências e nem queria saber quais as conseqüências, peguei um comprido e tomei com um gole de vodka.
Fiquei completamente pirada. A sensação era parecida com a de embriaguez. Eu fiquei completamente tonta e eufórica, as luzes da festa eram tão lindas, parecia que meu corpo estava tão leve, parecia que eu iria voar. Depois de uns minutos comecei a sentir uma forte atração por todos que tinham naquela festa. Depois daquilo não consigo mais lembrar o que aconteceu, apenas que no dia seguinte acordei cheia de espinhas, com a blusa ao contrário. Ao sair de dentro do guarda-roupa, vi que aquela casa não era minha e sem querer saber quem era o dono daquele lugar, pulei a janela. Isso me rendeu alguns arranhões.
Eu considerava minha vida perfeita, tinha amigas leais e um tanto falsas. Humilhávamos todos e eu adorava isso.
Uma vez cheguei em casa e ouvi a voz rígida do meu pai de longe. Fui em direção á ele:
— Sente-se aí. – disse.
Estavam meus dois irmãos sentados no sofá e nossos pais na nossa frente. Obedeci e me sentei:
— As coisas andam meio complicadas para nós. Vou poupar vocês de falar as coisas que estão acontecendo porque vocês nunca irão entender, não com a idade e com o comportamento de vocês. Resumindo, iremos nos mudar para uma cidade pequena do Paraná, pelo menos até as coisas melhorarem.
— O quê?!? – dei um berro tão alto que todas as pessoas que estavam presentes na casa se assustaram. – Do que você está falando?
Meu pai permaneceu com uma expressão séria e calma:
— Nós iremos nos mudar.
— Não acredito nisso! – gritou Isaac.
— Nossa vida é perfeita aqui! Pra que mudar? – perguntei fazendo um escândalo.
— Perfeita? Você disse perfeita? – meu pai ficou irritado – Você e seu irmão têm 19 e 26 anos e são dois vagabundos! Vocês não fazem nada além de ficar indo em festas! O que vai ser de vocês quando eu e sua mãe morrermos? Como vão administrar o dinheiro? Com coisas fúteis com certeza. Nós iremos sim, porque além de vocês morarem embaixo do meu teto, vocês não me dão motivo pra ser legal. Vocês vão sim! E o único que vou perguntar se quer ir é pro Gabriel.
— Eu vou sim pai. – respondeu Gabriel com uma voz baixa, logo depois se levantou e foi para seu quarto.
Meus pais saíram logo depois e ficamos eu e Isaac sentados no sofá com cara de idiotas:
— O que será de nós, Isaac? – perguntei pasma.
— Eu realmente não sei. – respondeu.
Uma semana depois, nós saímos de São Paulo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Nasci ao contrário...


As vezes penso que nasci ao contrário.
Sabe, saí da minha mãe da maneira errada.

As pessoas que olham como uma menina inocente e doce,
mas na verdade elas não sabem as coisas que eu faço.
As pessoas boas, sóbrias e dedicadas, que eu deveria admirar, eu não admiro.
As pessoas bebadas, ricas e idiotas, eu admiro.
Eu ouço palavras passarem por mim ao contrário.
As pessoas que eu deveria amar, eu odeio.
E as pessoas que eu deveria odiar...


Partes em negrito: Effy - Skins.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dinheiro e simplicidade.


Numa determinada época da vida, acho que sempre procuramos uma coisa: o luxo. Não importa, estamos sempre insatisfeitos e queremos mais e mais e mais.
Já passei por isso e ainda passo. Você quer muito participar de outro mundo. Quer estar no glamour e acaba irritando a todos com isso. A quem tem glamour, dinheiro e luxo, meus mais sinceros parabéns. Você foi um dos sortudos a ter isso. Por isso, não leia isso.
Se eu ganhasse 1 centavo toda a vez que ouvisse a frase: "O dinheiro nunca vai te trazer felicidade" eu seria milionária hoje. O dinheiro te traz felicidade. Quem não seria feliz com uma mansão, ou com um celular da moda ou com viagens ao exterior? Mas você já parou pra pensar que talvez você não tenha nascido pra isso?
Eu observei por meses e até senti inveja daqueles que iam a festas todo o fim de semana, os que tinham tudo o que queriam e todas essas coisas. Como eu me irritava. Por mais que eu tivesse tudo o que eu queria, eu ainda queria mais (e talvez ainda queira). Mas eu comecei a pensar em como seria minha vida num mundo de luxo? Eu penso que há uma grande possibilidade de eu não conseguir me encaixar a ele. Eu não conseguiria ficar andando de salto. Não conseguiria fazer as coisas que eles fazem. Provavelmente eu não perceberia o quanto as coisas simples são boas e seria uma fútil de merda. (perdoem-me o palavreado)
Depois desses meses, fiz o que eu costumava fazer: fui pra um lugar fora da cidade, onde tem muita grama, céu azul e cachoeira. Foi ali que eu percebi que esse tipo de lugar valia muito mais que o mundo de luxo. Ao andar vi coisas perfeitas, me senti bem, me senti aliviada, fiquei em paz... coisas que nunca senti ao ir em festas de luxo (sim, fui a algumas. Não, não me encaixei)
Me acalmei ao pensar que um dia a época de ir em festas chegará (não necessariamente nessas de luxo, mas...). Eu posso batalhar na vida pra ter dinheiro. Pra quê brigar por uma coisa que você nunca será? Quem pertence ao mundo da simplicidade, fica preso á ele, tendo dinheiro ou não. E será que isso não seria o melhor? Confesso que já quis ser como na série Gossip Girl, já quis ter todo o glamour e viver num mundo assim. Mas depois de muita birra, percebi que meu mundo não é como o Gossip Girl e sim mais tranquilo, pacífico e calmo, como são as musicas de Jason Mraz e Colbie Caillat. Eu aceito meu mundo, eu aceito a simplicade, e aceito trocar saltos por havaianas. (Afinal, salto dói pra caramba).
Aos que vivem em um mundo de luxo por um tempo e ainda não tornaram-se futeis, parabéns, tiro meu chapéu pra vocês.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Capítulo 2 - parte 1

Capítulo 2 – Apaixonar-se



Volto aos tempos atuais. Vejo que estou na mesma situação de antes. Não há nada do meu lado, nada que me faça querer viver mais. A única coisa que tenho na minha frente é uma arma. Mas eu não tenho certeza se é isso que eu realmente quero. Porque além de me matar, vou matar outro ser dentro de mim, que nunca fez nada a ninguém, quer apenas viver.
Levanto violentamente. Empurro a mesa e a cadeira sem querer, começo a por minhas mãos na cabeça e a gritar:
— Por quê?! Por que comigo?!
Volto à cozinha. Me encosto na parede, já com tontura. Precisava de um apoio. Olho para a pia, vejo que esqueci de guardar os saches de chá. Vou até eles, pego um, sinto o doce aroma de camomila, e lembro-me mais uma vez do passado.
Pra mim foi uma estranha sensação que senti ao conversar com aquele menino. Fui caminhando e pensando no motivo de sentir tudo aquilo ao encostar em sua mão. Desci até a funerária, e lá passei o resto do dia. Não contei sobre o garoto para meu irmão, nem para minha mãe. Meu irmão não iria entender, e minha mãe estava com outros problemas.
Após um dia cansativo, chegamos em casa, comemos um lanche e fomos deitar. Deitei em minha cama, apaguei a luz e fiquei olhando para o teto. Não sei o motivo, mas desde aquele dia, comecei a ficar olhando para o teto. Sempre que podia.
Não preciso nem falar que fiquei pensando no Rafael. Ó belo ser humano, um exemplo, tão gracioso, tão delicado, tão doce e tão querido. Eu não sabia o que sentia, realmente não sabia, era uma confusão de sensações. Quando me lembrava das conversas, e de quando encostei em sua mão, eu me arrepiava, me dava uma sensação inexplicável no coração, um aperto. Mesmo num dia triste, eu estava com vontade de sair rodopiando na chuva. Meus pensamentos foram atrapalhados por meu irmão que abriu delicadamente a porta:
— Manuela, está dormindo?
— Não.
— Posso dormir com você de novo? – perguntou. Mesmo no escuro, imaginei a carinha fofa que ele estava fazendo
— Não. – respondi seca. O real motivo de eu não querer meu irmão comigo, era que eu queria ficar pensando no Rafael, e sorrir novamente, e repetir toda a conversa, sem ninguém por perto para tirar sarro.
— Por quê? – perguntou
— Porque... Porque hoje não, Noah! – respondi
Ele fechou a porta. Pela primeira vez, fui grossa com uma pessoa por causa de outro. Senti que estava aprendendo a ser adolescente.
Fiquei sozinha no escuro, e dessa vez não tinha medo nenhum, nada me assombrava. De repente, do nada, pensei no meu pai e comecei a chorar do mesmo jeito de sempre: quietamente. Após alguns minutos, me entreguei ao cansaço, fechei meus olhos e dormi.
Acordei no outro dia com um raio de Sol no meu rosto. Abri meus olhos e vi que tinha deixado a persiana do quarto aberta. Era segunda-feira e era dia letivo. Me levantei, coloquei minhas pantufas de abelha e fui até a cozinha.
Minha mãe já estava acordada. Vi uma cena que nunca irei esquecer: ela sentada na cadeira e com um copo de café nas mãos, com seu típico chinelinho de pano, olhava para o nada, simplesmente pasma. A persiana também estava aberta e toda a claridade entrava naquela triste cozinha. Mamãe, que nunca suportou claridade em seus olhos, não estava nem ligando, acho que nem estava ali:
— Oi mãe. – eu disse atrapalhando todos os seus pensamentos
— Oi Manuela. – respondeu. Seus olhos viraram para o relógio. – Por que acordou tão cedo?
— Eu tenho aula. – respondi.
— Seu pai morreu e você vai pra aula? – perguntou calmamente
Ás vezes fico pensando no que minha mãe via na frente dela. Sua filha quase adolescente, com os cabelos loiros, olhos claros, baixa, com um pijama de ursinho e pantufas de abelha. Não sei o porquê, mas isso deve ter significado algo pra ela, que eu ainda era uma criança, e provavelmente ela queria que eu ficasse daquele jeito para sempre.
— Tem razão. Ficarei com você. – respondi docemente
Ela não respondeu, apenas sorriu. Fui em direção do armário, peguei um leite e achocolatado, fiz, e me sentei em sua frente:
— Mãe, se eu te contar uma coisa, você não ficará brava? – perguntei.
— O que é? – perguntou ela, sem prestar muita atenção.
— Eu sei que eu não devia falar, mas é que como sempre tivemos uma boa relação, acho nada mais justo que te contar.
— Fale logo. – disse minha mãe, já perdendo a paciência
Para poupar-lhe de ficar lendo toda a história novamente, digo que contei tudo para minha mãe, a conversa, as sensações que tive e exatamente todos os detalhes daquele menino incrível que eu tinha conhecido.
— Você sentiu uma atração. – disse ela calmamente.
— Como assim? – perguntei.
— O que você sentiu por ele foi uma atração. É muito comum isso. – ela me respondeu, olhando em meus olhos.
— Eu sei o que é atração, mas não foi isso que eu senti por ele. Não! De jeito nenhum! – falei aumentando meu tom de voz.
— Você abaixe esse tom de voz comigo! – dissse gritando.
Tivemos um silêncio de 15 minutos:
— Tá bom, confesso que senti sim uma atraçãozinha por ele. Satisfeita? – perguntei.
— Eu disse. – me respondeu com uma deliciosa gargalhada.
Ao ouvir sua gargalhada, comecei a rir também. Foi um momento tão bom entre mãe e filha. Logo, meu irmão apareceu na cozinha. Eu achei que iria acabar a sintonia entre nós duas, pelo contrário, aumentou mais nosso momento familiar:
— Ei Noah! Você viu que sua irmã está namorando? – gritou minha mãe, morrendo de rir.
— Não! Não quero que ela namore! – gritava mais ainda Noah.
— Mas eu não estou namorando! Ele nem daqui é! Como isso seria possível? – comecei a rir muito.
Eu já tinha visto várias vezes em filmes e novelas essa tal de “atração” que um ser do sexo masculino sentia pelo feminino e vice-versa. Mas eu nunca tinha passado por aquilo. Nunca tinha segurado na mão de ninguém, muito menos beijado alguém. Confesso que no começo eu ficava com medo, porque aos 12 anos percebi que estava me tornando uma adolescente, e uma bem atrasada diga-se por passagem, porque muitas das minhas amigas já tinham tido sua experiência de primeiro beijo e essas coisas.
Passaram-se uns dois dias. Só então decidi ir pra escola. Achei que já estava psicologicamente preparada para encontrar meus amigos e deixar minha mãe sozinha.
Chegando lá, dei de cara com os mesmos amigos, que me abraçaram, me consolaram e me fizeram sorrir. Eu já nem me lembro mais do que fiz naquelas aulas, a única coisa que me lembro foi que decidi contar sobre o tal menino que eu tinha conhecido. Na verdade, eu queria saber sobre a tal “atração”.
Lembro-me que a professora nos mandou fazer uma atividade de matemática em dupla, e resolvi chamar minha amiga Fernanda para formar dupla comigo. Começamos a resolver os exercícios, até que resolvi quebrar o silêncio que nos atormentava:
— Fernanda, você já sentiu alguma atração por alguém?
— Do que você está falando? – perguntou ela, com uma expressão de assustada
— Ah, sei lá! Você já sentiu um aperto no coração, o sangue correr frio nas veias, e...
— Já. – ela me respondeu sem ao menos me deixar terminar a frase. – Por que me pergunta isso?
— Não, por nada. Só queria saber. É porque nunca senti isso. – menti. Realmente menti.
— Ah sei. Então como você descreveu perfeitamente tudo o que a pessoa sente? – perguntou.
— Eu não descrevi perfeitamente. Você me interrompeu! – briguei.
— Vejo isso em seus olhos. Que estão muito brilhantes para quem perdeu o pai. – disse ela sem pensar
— Poxa Fernanda! Assim ofende! E sim, eu conheci alguém ok? Falei. Satisfeita? – perguntei já me irritando
Ela soltou uma escandalosa gargalhada:
— Sim, estou satisfeita.
Sorri.
— Ficarei mais satisfeita se você me contar toda essa história
E pra lhe poupar novamente, não irei repetir a história. Só digo que Fernanda riu muito. Ela parecia tão mais experiente, tão mais entendida e era um mês mais nova. Depois de contar toda a história, resolvi perguntar:
— Sou muito atrasada?
— Como assim? – perguntou, novamente com a expressão de assustada.
— Eu vejo todas as meninas com meninos por aí. Sou atrasada? – perguntei com medo da resposta.
— Sim, você é. – me respondeu sinceramente.
Cheguei a ficar pasma com toda sua sinceridade, mas no fundo, eu não ligava muito.
Depois da conversa, não tocamos mais no assunto, simplesmente voltamos a fazer as atividades, e o resto da manhã foi normal.
O doce cheiro de camomila me acalma. Fico sentindo aquele cheiro maravilhoso por alguns minutos. O cheiro me lembra tudo aquilo que já passei, as fases, alegrias e dificuldades.
Começo a andar pela cozinha, calmamente, olhando aquele piso branco que briguei com Rafael para que fosse de outra cor. Era muito difícil para limpar e ficava todo encardido. Mas como ele geralmente fazia tudo o que eu pedia, eu fiz uma vontade dele no dia de escolher. Sim, casamento no começo é a coisa mais linda do mundo.
Não tinha certeza se eu realmente queria fazer aquilo, tirar a minha vida. Sempre fui uma pessoa tão religiosa e sabia que fazer isso seria um tremendo pecado. Mas eu não tinha escolha.
Sento numa cadeira, onde costumávamos almoçar e jantar. Sempre que podíamos, fazíamos as refeições principais juntos. Mas o que realmente tínhamos que fazer juntos, era tomar o chá ás 5 horas. Era sagrado para ambos.
Começo a lembrar das conversas sobre trabalhos que tínhamos na hora do almoço. Ele me contava sobre seus colegas de profissão, e eu contava sobre os meus. Ele trabalhava num hospital, e pretendia fazer uma especialização. Eu estava estudando para ser diplomata, já tinha passado no concurso, só faltava fazer o curso para ser uma.
Encosto minha cabeça na mesa e começo a olhar pro nada. Bem do jeito que minha mãe fazia. Mas na minha cabeça vinha muitas lembranças.
Pulemos alguns anos. Não tantos. Uns 2 anos. Eu já tinha esquecido a existência do Rafael. Algumas vezes me lembrava dele, mas já não sentia aquela tal “atração”.
Comecei a me interessar por outros meninos, o que era totalmente normal, afinal, eu tinha 14 anos. O problema era que eu sempre tinha aquelas paixões platônicas, onde o menino nunca sabia quem eu era, embora estudasse no mesmo colégio.
Uma dessas paixões platônicas foi por um ser humano chamado Aury. Seu nome já me chamava atenção, que significava “Brilhante”. Hoje vejo que esse significado era um tanto gay.
Não era bem paixão, não era amor, era simplesmente um pequeno interesse, mas convencer meus amigos não foi fácil. Lembro-me do dia que, em sala de aula, estava conversando com meu amigo Fabiano:
— Ei, o que você acha do Aury? – perguntei.
— Qual? O que está no 2º ano do Ensino Médio? – me respondeu com outra pergunta.
— Esse. – respondi, toda sorridente.
— Opa! Tá me estranhando? Não acho nada. Não tenho que achar. – disse ele, estranhando muito aquela conversa.
— Ah tá. Obrigada. – falei desapontada.
— Por que está me perguntando isso? – perguntou ele.
— Se eu te contar, você jura que não conta pra ninguém? – perguntei, insegura.
— Juro que não conto. – disse ele, fingindo ter os olhos mais sinceros do mundo.
Fiquei mais insegura. Conhecia bem aquele olhar. Não sabia se realmente podia confiar nele. O fato era que eu o conhecia bem pouco, tinha acabado de conhecê-lo.
— Eu gosto dele. – falei. Alto e baixo rápido e devagar, tudo ao mesmo tempo. Meu coração acelerava, mas não pela atração e sim pelo nervoso de contar um segredo a alguém.
Fabiano ficou indiferente. Não disse nada. Simplesmente virou-se e continuou a fazer o que estava fazendo. Imagino que sua expressão era diabólica, daquelas que iria aprontar alguma coisa. Guardei pra mim e deixei estar.
No dia seguinte, quando cheguei na escola, percebi que algumas pessoas do 2º ano estavam olhando pra mim e debochando da minha cara. Vi a Fernanda de longe, e sai correndo berrando seu nome:
— Cortei relações com você, sua sem-vergonha! – disse ela
— O quê? Por quê? O que eu fiz? – perguntei desesperada
— Poxa, sou sua amiga faz anos, e você não me contou sobre o Aury. – disse ela. Parecia estar muito irritada.
— Aury? Como assim? Quem te falou isso? – comecei a perguntar desesperadamente.
— Não sei. Só sei que essa novidade se espalhou pela escola. – respondeu, ainda muito irritada.
— Fabiano desgraçado! – gritei.
— O quê? – perguntou Fernanda, já não entendendo muita coisa.
— Eu comentei com o Fabiano ontem, que eu gostava do Aury, mas sei lá, não é paixão nem nada. Aquele filho da mãe me paga! – gritei mais alto.
— Opa! Vai bater nele? Deixa que eu ajudo. – disse Fernanda, com o humor um pouco melhor.
Fernanda era uma menina de personalidade muito forte, e eu já via isso nela há anos atrás.
— Imagina! Não vamos bater em ninguém. Sou uma pessoa pacifica lembra? – perguntei.
E sim, eu era uma pessoa muito calma, muito “paz e amor”.
— Você vai deixar isso passar? Sua burra! – perguntou e já comentou, sem ao menos eu lhe dizer algo.
— Relaxa, relaxa. – falei.
Dali, fui na direção onde estava Fabiano. Ele me viu de longe, e começou a se esconder atrás dos amigos que estavam com ele. Cheguei até ele e fiz o maior griteiro:
— Como você pode fazer isso? Seu fofoqueiro! Como você pode contar pro colégio inteiro uma coisa que não é verdade?!
— Você cale a sua boca, porque você me disse isso ontem! – respondeu estupidamente.
— E eu pedi pra você não contar pra ninguém. – gritei.
— Mas eu não contei. Contei apenas para o Aury, aí a notícia se espalhou. – disse ele na maior falsidade
— Desgraçado. – resmunguei, mas ninguém ouviu.
Nossa amizade nunca mais foi a mesma depois daquele dia. Lembro que durante as aulas e intervalos, as pessoas tiravam sarro da minha cara. Me escondia no banheiro, e percebi o que era ser vitima da “fofoca”. Uma coisa fútil e ridícula, totalmente desnecessária.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Coisas que não preciso

The one thing I need now is this.


Várias vezes percebi o quanto eu quero as coisas, e são várias, algumas que talvez nem sentindo façam.
E quanto mais eu queria, mais eu me tornava uma pessoa instatisfeita, e quanto mais insatisfeita, mais irritante eu ficava.
Essa postagem realmente me fez pensar muito (tanto que só consegui digitar 5 coisas que não preciso), e foi a prova de que estou muito mais instatisfeita que satisfeita.
Creio que não sou só eu...

Coisas que não preciso:

1 - Coisas tecnologicas. Afinal, sempre terá outros produtos mais modernos para substituí-los.
2 - Amigos que te humilham . A verdade é que os amigos nos fazem sorrir e não chorar.
3 - Ser milionária. É uma coisa que demorei pra por na cabeça. Dinheiro não te faz ser melhor.
4 - Futilidade. Outra coisa dificil de por na cabeça: Você não é perfeita e nunca será.
5 - Sinceridade ao extremo. A verdade é boa, mas sinceridade ao extremo nunca foi.

Ouço sempre antes de dormir




I Need You (tradução) - The Beatles

Você não percebe o quanto
Eu preciso de você.
Amo você o tempo todo,
Jamais deixarei você.

Por favor, volte para mim.
Eu estou muito sozinho
Eu preciso de você.

Você disse que tinha uma coisa ou duas
Para me contar
Como eu poderia saber
Que você me chatearia?

Eu não percebi
Conforme eu olhava em seus olhos
Você me dizia

Oh, sim, você me contou
Que não queria meu amor nunca mais.
Foi quando me magoou
E me sentindo assim
Eu simplesmente não posso mais continuar

Por favor, lembre-se de como eu me sinto
Sobre você
Eu nunca poderia viver
Sem você.

Então, volte para cá e veja
Exatamente o que você significa para mim
Eu preciso de você.

Mas quando você me contou
Que não queria meu amor nunca mais.
Foi quando me magoou
E me sentindo assim
Eu simplesmente não posso mais continuar

Por favor, lembre-se de como eu me sinto perto de você
Eu nunca poderia viver
Sem você.

Então, volte para cá e veja
Exatamente o que você significa para mim
Eu preciso de você
Eu preciso de você
Eu preciso de você







terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ironia


Eu não preciso de você
Não preciso de você
Não posso ficar pensando no "se"

Me disseram que quando a mentira é repetida
A bobagem acaba ficando invertida
Quantas vezes gritei
Eu não preciso de ninguém
Essa foi a maior bobagem que inventei
Porque a solidão não me convém.

E eu preciso saber...


Nunca soube direito o significado dessa palavra
Nunca corri atrás
Nunca veio atrás de mim
Nunca me mostrou nenhum motivo pra sorrir
Talvez o que eu sinta
esteja bem proxima dela.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Desabafo de um mortal.

Como pude mudar
Para um ser tão fútil?
Tão inútil.
Brincar de sonhar.

Me rebaixei
Por algo que nunca sonhei
Por algo impossível
Completamente inatingivel.

Por que pensar que futilidades
iriam me agradar?
Por que pensar que vodka
iria me alegrar?

Por que com uma expressão ironica
meus olhos fui virar?

O que aconteceu comigo?
Me tornei uma pessoa grossa
Qual o meu castigo?
Quero criar uma bossa.

Por que parei de olhar as estrelas?
Por que parei de admirar?
Por que perdi o encanto das simples coisas?
O que vou pensar?
Que é a hora de mudar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Capitulo 1 - Não tem sentido

A vida simplesmente não tinha sentido. Estava eu, sentada numa cadeira com uma arma em cima da mesa. Essa mesa ficava na varanda da minha casa, num lugar tranquilo e limpo. Lembro-me das alegrias que tive ao ver Rafael regando as flores que plantamos na última primavera.
Um copo de chá em minhas mãos, o último de minha insignificante vida. Chá me fazia sorrir, mas não naquele dia. Na verdade, um estúpido copo de chá rotineiro não era o que realmente me fazia sorrir. O real motivo era vê-lo sentado na minha frente, rindo e me dando um sermão:
— Você toma muito chá. Sabia que chá deixa seus dentes amarelados? Sua britânica! Percebeu como você me faz tomar chá, diariamente, ás 5 horas da tarde? Somos pessoas de rotina agora?
Eu sabia exatamente o motivo do “sermão”, ambos sabíamos. Embora falasse isso, pegava uma xícara, colocava chá e ficava me olhando. Não me esqueço de seus olhos: eram castanhos, meio caídos e muito dóceis. Parecia que ele contava todos os seus segredos apenas pelo olhar. Ao perceber que eu estava olhando seus belíssimos olhos, ele tomava um gole de chá e dava um delicioso sorriso. Seus dentes eram meio amarelos, e alguns eram tortos, mas toda a vez que ele sorria, apareciam “ruguinhas” ao lado de seus olhos, que eram as coisas mais fofas que já vi.
Eu colocava as mãos no meu rosto, tentando esconder todas as imperfeições que tinha, mas ele sempre tirava delicadamente as mãos do meu rosto e colocava no seu:
— Tenho mais imperfeições que você. – brincava
Volto à vida real. Odeio a realidade. Termino o maldito copo de chá, jogo-o dentro da pia. Fico parada, olhando para todas as paredes que pintamos juntos, com gargalhadas e beijos espontâneos. Derramo uma lágrima. Me encosto na parede e deslizo até sentir o chão gelado. Começo a cantar sozinha, ouvindo o eco da minha voz:
— E eu te preciso como nunca.
Choro, soluço, bato a cabeça na parede várias vezes. Eu tinha que acabar com esse sofrimento, tinha que dar um fim em tudo. Me levanto e sigo até á varanda, até que ouço o celular tocar.
Por um momento, parecia que ele estava me ligando. Achei que atenderia e ouviria sua voz angelical. Corro, atravesso o corredor, as paredes alaranjadas pareciam rir de mim. Abro a porta do quarto, me jogo na cama e finalmente, atendo o celular:
— Oi Manuela.
Reconheci imediatamente a voz, era meu irmão, Noah.
— Oi. – respondi seca
— Só queria saber se você está bem. Faz uns quatro dias que não ouço sua voz.
— Estou bem. Tentando superar. Preciso terminar o que estou fazendo. Adeus Noah.
E desliguei antes de ouvir um adeus. Mais lágrimas caem.
— De onde tirei a ideia que ele me ligaria? Hein? Sua idiota! – gritei para mim mesma, abrindo o guarda roupa e socando o celular lá dentro.
Me jogo na cama chorando. E ao pensar que toda aquela cama teve momentos tão felizes. No meio das cobertas, vi o que me incriminava, vi o pior problema: um exame. Pela milésima vez, abro aquele papel e vejo a mesma resposta. “Teste de gravidez: positivo.”
Como eu iria contar isso para a família dele? Como contaria para minha família? Como eu, uma viúva, cuidaria de uma criança?
— Vamos acabar com isso. – disse para mim mesma.
Saio do quarto. Ando pelo corredor, sentindo as paredes, tocando-as delicadamente. Pra mim, elas pareciam azuis. Pareciam estar chorando de um jeito baixo e fino. Passo pelo banheiro, lugar onde eu sempre brigava com Rafael para deixar a porta fechada.
Naquele dia, ela estava aberta. Me vejo no espelho, e sei muito bem o que reflete: uma mulher de 23 anos, grávida de dois meses, ruiva, aproximadamente 1,55m de altura, não era gorda e nem magra. Lembro-me do sacrifício na adolescência para enfrentar a tendência de engordar. Lembro-me do sacrifício para manter os cabelos ruivos, meio vermelhos e alaranjados, mas nenhum sacrifício foi tão doído como ficar sem meu amado. Ele ficaria tão feliz ao saber que eu estava grávida. Sua paixão era cuidar de crianças. Não era a toa que queria ser pediatra. Bem falado. Queria.
Volto a sentar na cadeira, apoio meus braços na mesa sem saber ao certo o que fazer. Deslizo minha mão na arma, acaricio-a, fecho os olhos, e então, lembro-me de toda a minha vida.
Crescer não foi fácil pra mim. De longe, minha família aparentava ser tão normal, mas de perto era terrível. Minha mãe era um doce, um excelente exemplo. Era meiga, mas quando era necessário conseguia ser rígida e brava. Tinha um irmão mais novo, nossa diferença de idade era apenas dois anos, crescemos e aprendemos juntos.
Fui crescendo e percebendo que meu pai tinha um comportamento estranho, mais ou menos quando tinha uns 10 anos percebi que ele era um alcoólatra. Mesmo assim, eu o adorava. Muitas pessoas dizem que, a filha acaba tendo a personalidade do pai, e se inspira nele. Mesmo com todos os defeitos, eu o amava.
Meu sonho era ter um anel. Um simples anel. Daqueles que apareciam na televisão, sempre passavam despercebidos. Poucas pessoas reparavam no que havia nos dedos das atrizes. Alguns eram mais bonitos que as próprias.
Em um sábado, quando eu tinha aproximadamente uns 12 anos, desci até o porão de casa e vi uma caixa que estava escrito: “Constance”. Meus olhos brilhavam, e eu fui com um olhar curioso, fuçar.
Sabia que não devia fuçar aquela caixa, principalmente, porque ela pertencia a minha mãe. Mas o nome me seduzia muito, pra mim, o nome de minha mãe transbordava doçura.
Com cautela, abri uma das abas. Já vi que havia muitos objetos ali dentro. Puxo o primeiro: Era um belo urso de pelúcia. Parecia ser belo em seu tempo. Minha impressão na época era que muitas lágrimas já haviam molhado aquele urso. Porém, no dia em que o encontrei, ele estava cheirando a mofo, todo sujo e abandonado.
Não conseguia ver mais nada, tive que abrir a segunda aba. Ficava olhando para a porta, sempre desconfiada, de medo que alguém aparecesse e acabasse com minha alegria. Havia muitas coisas na caixa, algumas que eu nem me lembro mais. Muitas roupas, meias, brinquedos, brincos e de repente dou de cara com uma pequena caixinha de veludo. Fiquei encantada. Dei mais uma olhada para a porta e como uma exploradora, abri aquela caixinha, num movimento rápido e ao mesmo tempo devagar, curtindo cada momento. O que tinha lá? Um anel.
Ele era tão lindo, tão perfeito, tão maravilhoso. Nunca tinha visto uma coisa tão graciosa em toda a minha pequena vida de 12 anos. Eu não conseguia descrevê-lo e até hoje não consigo. No centro, havia uma pequena pedra de brilhante e “o círculo”, como eu costumava dizer, era de ouro.
Eu estava tão maravilhada com aquele anel, que nem ouvi passos descendo a escada que ligava o porão á casa. Até que ouço uma voz doce, porém brava, atrás de mim:
— Manuela!
Joguei com força o anel, levei um grande susto, olhei para trás e era minha mãe:
— O que você está fazendo aí? – disse com um tom rígido.
— Eu achei essa caixa e...
— Quem te deu permissão para mexer nas minhas coisas? – perguntou, já sabendo a resposta. Típica pergunta idiota que as mães fazem.
— Ninguém. Eu desci aqui e acabei encontrando. – respondi.
— Não mexa nas minhas coisas... – disse.
— Mas estão socadas aqui e...
— Não quero saber. Não mexa! Olha a zona que você fez! Trate de arrumar isso aí, vou sair com seu irmão. – disse ela, com a voz um pouco mais calma.
E então saiu, mesmo estando de costas, a ouvi subindo as escadas com o chinelinho de pano que sempre usava, e eu sabia exatamente o som que eles faziam ao entrar em contato com o chão.
Olhei no relógio, eram 15 horas. Fiquei sentada no chão, apenas pensando, por uma meia hora. Por que não podia mexer na caixa? Havia segredos ali? E o mais importante: Por que ela não tomou a caixa de mim e a escondeu em qualquer lugar? Será que era algo superficial? Será que a irritação fora superficial, apenas para eu procurar mais? Será que meu pai era tão mal que ela queria transmitir uma mensagem usando a psicologia inversa? Hoje já sei a resposta de todas as perguntas que bolei em minha cabeça naquele dia: Não.
A irritação era real, eu realmente não devia mexer na caixa por ser muito nova, e talvez estragar alguma coisa, ou até mesmo ler alguns dos papéis que lá havia e sair contando para todo mundo. Não zombe de mim, meu caro leitor, você seria um hipócrita se falasse que perguntas idiotas nunca surgiram em sua vida quando estava saindo da infância e entrando na adolescência.
Sentada, vi que o anel tinha caído embaixo de um armário escuro. Fui engatinhando até lá e o peguei. Comecei a abraçá-lo. Sim, abracei um anel, beijei um anel, pedi que fosse meu para sempre. Era como se eu estivesse apaixonada por aquele objeto que muitos nem percebiam.
O coloquei delicadamente em meu dedo anelar. Ficou perfeito, eu ficava olhando para ele o tempo todo, admirando aquela beleza. Olho mais uma vez no relógio, eram 16 horas.
Ouço um barulho de porta, vindo da casa. Pensando que era minha mãe, comecei a juntar toda a bagunça que espalhei pelo porão, coloquei tudo dentro da caixa, e ao por, percebi que havia muitas folhas lá dentro, mas como eu tinha que ser rápida, nem consegui vê-las direito.
Abre-se a porta do porão, eu continuava de costas para a porta. Percebi que em vez do som de um chinelinho de pano, era um som bruto, raivoso e até mesmo sem consciência. Viro-me assustada para ver quem tinha chego, e dei de cara com meu pai.
— O que está fazendo aqui? – perguntei.
Eu realmente estava muito confusa, ele tinha dito que sairia com alguns amigos. Mas a minha confusão na época era por ser tão inocente. Depois que cresci, percebi que quando um alcoólatra diz que vai sair com alguns amigos, é a mesma coisa que dizer: “Ei, vou ali encher a cara e já volto ok?”
— O que é isso na sua mão? – ele me respondeu com outra pergunta
Escondi minha mão antes dele terminar a frase, nunca tinha ficado com tanto medo do meu pai. Ele realmente estava me assustando
— N-Nada. – respondi gaguejando
— É um anel? – perguntou
— Não.
— É sim! É um anel! Aonde você arranjou isso? – perguntou ainda calmo
Não respondi.
— Aonde você arranjou isso?! – perguntou mais uma vez, mas gritando
— Na caixa. – respondi tremendo
— Que caixa? – gritou
Não consegui responder. O medo era tanto. Senti meu sangue correr mais rápido, senti frio, tremi, só conseguia desejar que minha mãe voltasse logo
— Me responda sua vaca! Que maldita caixa é essa?! – repetiu no mesmo tom de grito
— Da mamãe! – respondi gritando, sem perceber.
Ele me olhou de uma forma terrível. Pra mim, parecia possuído. Olhou para a caixa, fez uma cara zangada e chutou a caixa com toda a força que tinha, olhou pra mim mais uma vez:
— Sua desgraçada! – berrou me dando um tapa na cara. – Como você pode trazer de volta essa maldita caixa? Eu cansei dessa porcaria!
Comecei a chorar. Minha vontade era de soluçar, mas fiquei com tanto medo de fazer barulho que apenas coloquei a mão no meu rosto e fiquei chorando em silêncio. Ele colocou a mão na cintura, deu umas duas voltas no porão, olhou para meu dedo, e agressivamente arrancou o anel que lá estava e subiu as escadas.
Corri atrás dele feito louca, vi que ele estava indo ao banheiro, eu não sabia o que pensar, não sabia se gritava, se chorava, se ligava para a Delegacia. Ao entrar no banheiro, vi que ele ergueu a tampa da privada e jogou o anel lá dentro, a única coisa que consegui fazer foi gritar. Ele deu descarga.
Me joguei no chão, fiquei encostada na parede chorando, e dessa vez, comecei a soluçar.
Ouvi o barulho da porta, ergui minha cabeça e olhei para o lado, minha mãe e meu irmão entraram na casa, e deram de cara comigo encostada na parede com o rosto vermelho, misturando choro com tapa. Meu pai saiu do banheiro, andou rapidamente pelo corredor, tomou a chave do carro de minha mãe e saiu.
Meu irmão ficou desesperado, atravessou o corredor, sentou-se do meu lado e me abraçou. Foi um abraço tão forte e tão apertado, que parece que até hoje o sinto. Minha mãe saiu pra fora e só dava pra ouvir seus gritos:
— Volte! Você está louco? Você vai se matar! Volte!
Naquele dia, não consegui chorar mais. Estava em estado de choque, não sabia nem no que pensar. Pedi para que meu irmão dormisse comigo, e me abraçasse, porque eu estava com tanto medo. Não estava com medo do meu pai, e sim de perdê-lo.
Hoje vejo que eu já tinha perdido. Toda vez que ele bebia, eu ia o perdendo cada vez mais. Aquele dia foi apenas o fim, a perdição total. Não quero passar nem uma lição de moral a ninguém nesse livro, mas acho que não custa pedir que você, leitor querido, tome muito cuidado com os caminhos que a vida apresenta. Tome cuidado e veja se seus caminhos não vá prejudicar uma outra pessoa. Prejudicar no sentido de traumatizar ou até mesmo matar. Por sorte, com meu pai não foi assim, porque na morte, ele morreu sozinho, e não levou outra pessoa junto.
Minha mãe passou a madrugada inteira de pé. Não parava um segundo, chorava, brigava, ficava desesperada. Eu e meu irmão dormimos na mesma cama, num silencio que chegava a ser imbecil. Na verdade, não conseguimos dormir por mais de 1 hora. Enquanto um dormia, o outro vigiava. Foi realmente uma bela união de irmãos. Ficamos muito mais unidos depois daquele triste episódio. A partir dali, prometemos que um protegeria o outro. Eu, como irmã mais velha sempre achei que eu iria protegê-lo, e que eu nunca iria precisar ser protegida pelo meu irmão. Doce engano, doce engano.
O dia seguinte foi muito obvio. Acordamos com o som do telefone, logo depois, nossa mãe entrou no nosso quarto e nos cutucou:
— Levantem. Seu pai está morto.
Saiu com o carro a 150 km/h e bateu num poste. Chamaram ajuda, mas ele morreu no caminho do hospital.
Aquilo não foi surpreendente pra mim. Eu já imaginava que aquilo ia acontecer, tinha 12 anos e não era tão inocente assim. Tinha minha inocência, mas não era como uma pessoa de 10 anos, como meu irmão. Pra ele sim foi um choque. Abraçou minha mãe e começou a chorar escandalosamente. Eu fiquei sentada na cama olhando o escândalo que os dois faziam juntos. Fiquei em silencio, pasma, por mais que ele tivesse dado descarga no anel perfeito e que eu tanto sonhara, eu ainda o amava. Ele era meu pai e eu querendo ou não, pela natureza, eu seria parecida com ele. Só teria que tomar cuidado com os caminhos que eu fosse escolher na vida.
Meu dia inteiro foi numa funerária. Pessoas iam e vinham, falavam a mesma coisa, os abraços tinham o mesmo “gosto”. Lá pelas 14 horas, comecei a sentir uma forte dor de cabeça. Acho que tantos abraços e tantas palavras repetidas estavam me fazendo doer a cabeça. Pedi para minha mãe, para dar uma volta, porque minha cabeça estava estourando. Ela me deixou ir.
Comecei a andar pela cidade, não sabia onde estava indo, apenas deixava meus pés me levarem. E eles me levaram a um banquinho numa pequena praça no centro da cidade. Me encolhi ali e comecei a chorar. Novamente, um choro baixinho e tranqüilo. Passaram-se uns 10 minutos, até que alguém cutucou meu ombro, olhei para o lado e vi um menino com o cabelo cor avelã com uma xícara de chá nas mãos.
— Oi. – disse o menino
— Oi. – respondi educadamente
— Aceita um copo de chá? – perguntou sorrindo
— Eu não estou muito com vontade. – falei, limpando uma lágrima
— É chá de camomila. Tem um grande poder relaxante. – disse ele
— É mesmo? E como você sabe disso? Por que ele relaxa? – perguntei
— Não sei. Só sei que ajuda a relaxar. – respondeu rindo
Comecei a rir espontaneamente. Meu pai tinha morrido e um menino desconhecido com o cabelo cor avelã me fez rir. O que eu tinha na cabeça?
— Tá bom. Não farei desfeita. – falei, pegando o copo de chá que ele tinha em suas mãos.
Tomei um gole. Percebi que o garoto ficou me olhando de um jeito diferente:
— O que foi? – perguntei sorrindo.
— Nada não. – respondeu com outro sorriso. – Desculpe a pergunta, mas, por que você está chorando?
— Meu pai morreu. – falei com um olhar triste.
— Oh meu Deus. Eu sinto muito! Se eu soubesse, nem viria aqui te incomodar. – ele disse sinceramente. Seus olhos já me mostraram toda a sinceridade, e todo o consolo que iriam me oferecer.
— Não, imagina! Na verdade, a melhor parte do dia foi ter um estranho me oferecendo um copo de chá. – falei sorrindo.
Novamente ele me respondeu com um sorriso, este, não tão sincero, mas ainda me consolava.
— Não quero ser um estranho. Qual o seu nome? – perguntou
— Manuela. – respondi. – E o seu?
— Rafael.
Quando ele disse seu nome, meu sangue começou a circular mais rápido, me deu uma falta de ar. Eu não tinha a menor ideia do motivo. A única coisa que eu sabia era que o nome Rafael me causaria muito impacto após aquilo. E como causaria.
— Belo nome. – falei
— Obrigada.
Ficamos em silencio por alguns minutos. Notei que eu nunca tinha visto aquele menino antes. E para continuar o assunto, resolvi perguntar:
— Você é daqui?
— Ah, não. Na verdade, nem desse estado sou.
— Sério? De onde você é? – perguntei. Doce curiosidade que sempre tive
Ele riu um pouco e logo respondeu:
— Sou do Rio de Janeiro.
— E o que está fazendo aqui no Paraná? – perguntei. Até hoje acho que minha curiosidade irrita
— Visitando minha avó. Ela adora o frio do Paraná mais do que odeia ficar sozinha. Minha família inteira mora no Rio de Janeiro.
— Ah sim.
— Ela mora aqui na frente. – comentou, apontando para uma casa de dois andares. – Aí vi uma bela moça chorando e resolvi trazer um copo de chá a ela.
Sorri. Ele também. Ambos ao mesmo tempo. Foi uma sintonia incrível. Ficamos nos olhando até que ouvimos um grito:
— Rafaaaeeeeel! Vem aqui!
— É minha avó. – disse ele. – Tenho que ir!
— Tudo bem. Adeus! – falei, novamente com um olhar triste
— Adeus moça bonita. – disse
Assim que ele virou-se para ir embora, tropeçou numa pedra e caiu. Sai correndo acudir:
— Meu Deus! Você está bem? – perguntei desesperada
— To ótimo! Só machuquei meu joelho. – respondeu rindo
Vi que seu joelho ficou todo esfolado, quase sangrando. Estendi minha mão para ajudá-lo a levantar. Na hora que ele tocou minha mão, meu coração foi a mil. Chegava a ser impressionante, nunca tinha me sentido daquele jeito, foi uma mistura de tudo o que eu já havia sentido: comecei a tremer, fiquei vermelha, meu coração acelerou, meu sangue ferveu e me deu uma falta de ar. Talvez ele tivesse percebido aquilo, ou não.
— Q-Quer a-ajuda para ir até sua avó? – perguntei, estava tão nervosa que comecei a gaguejar.
— Não, não. Obrigado! – respondeu sorrindo. Acho que ele tinha percebido meu nervosismo. – Adeus!
E lá se foi, um menino incrível, e que provavelmente, raramente iria vê-lo novamente.